sexta-feira, 29 de maio de 2009

Coletivo Popfuzz

O coletivo que produz o Maionese Cinco foi notícia hoje no Caderno B do jornal Gazeta de Alagoas. Cedida pelo repórter Rafhael Barbosa e com fotos de Maíra Vilela, segue abaixo um trecho da matéria:


QUERO SER GRANDE
Criado para dar visibilidade às bandas do circuito musical alternativo de Maceió, o festival Maionese chega ao quinto ano e celebra seu aniversário com uma edição que tem tudo para ser a mais disputada até agora. Na programação, 11 grupos de Alagoas, Pernambuco e Sergipe, entre eles a Mopho, que há sete anos não se apresentava com sua formação (psicodélica) original por aqui


“Cansado do marasmo? Então pare de reclamar, arregace as mangas e faça as coisas acontecerem”. Assim poderia ser resumida a motivação que levou um grupo de garotos na casa dos 18 anos a idealizar, em 2005, o festival Maionese Alternativa. Envolvidos com projetos autorais que pareciam não caber no circuito musical da época, a solução encontrada foi promover eles mesmos as condições necessárias para se fazer notar. Desde então, a cada mês de maio o “ritual” se repete: as bandas do chamado cenário alternativo são escaladas para mostrar seu som, e um público ávido por novidades comparece ao evento para conferir a produção de grupos como Super Amarelo, Radium e Neon Night Riders, além de diversos outros oriundos do coletivo Popfuzz, espécie de selo criado para apresentar os nomes que emergiram dessa cena.

A inspiração veio de diversas partes, do lema punk “do it yourself” (faça você mesmo), passando pela efervescência da Manchester dos anos 70 e pela movimentação que fez de Seattle, nos EUA, a capital do rock nos anos 80. De lá saíram algumas das bandas que fizeram a cabeça dessa turma desde a adolescência e que, inevitavelmente, contribuíram para a formação musical de cada um deles. Mas o combustível principal, garantem, foi mesmo a paixão pelo rock. “O primeiro Maionese foi apenas um show pequeno mesmo, uma tentativa que serviu como experiência. Depois nós buscamos trazer alguns elementos dos festivais de que a gente gosta, como o Coquetel Molotov e o Goiânia Noise. Então além de montarmos um palco secundário, passamos a abrir espaço para outras expressões artísticas além da música, como exposições fotográficas, performances teatrais, etc”, lembra o estudante Caíque Guimarães, 22, um dos fundadores do festival.

Nascido como uma “ação entre amigos”, sem patrocínio nem produtores profissionais dando suporte, o Maionese, na contramão do que tem ocorrido a outras iniciativas do gênero, sobreviveu para realizar sua quinta e mais ousada edição, amanhã (30), no Jaraguá Tênis Clube.

SIGNIFICADO

O “cinco” é um número simbólico e essa turma sabe que, sem renovação, não é possível chegar muito longe. Por isso eles aproveitaram o aniversário para romper – pelo que parece em definitivo – a barreira do underground e dialogar com outros públicos. “Essa é a maior edição em todos os sentidos, e principalmente em termos de abrangência e pretensão de atingir coisas que nunca atingimos. Pela primeira vez o festival tem três bandas de outros estados participando”, diz o estudante de Jornalismo Rodolfo Lima, 22. “

A Mellotrons [de Pernambuco] e a Snooze [de Aracaju] são bandas que têm projeção nacional e que a gente sempre admirou e sempre quis trazer para o festival. Conseguimos este ano e isso foi um grande avanço”, complementa o jornalista – e, assim como Rodolfo, componente da banda Super Amarelo – Gabriel Duarte, 22.Se a intenção era ampliar os horizontes, eles acertaram em cheio na escolha da atração principal desta nova edição, ao promover o reencontro de João Paulo,Leonardo Luiz, Júnior Bocão e Hélio Pisca, a formação original da Mopho. Espécie de cânone do rock alagoano, a banda – que dispensa maiores apresentações – não tocava por aqui com essa configuração desde 2002, e exatamente por isso a notícia do “retorno” vem causando burburinho desde que foi anunciada, no mês passado.

“A Mopho é uma banda de que todos gostamos. Tem uma projeção absurda e é alagoana. Então eles eram uma opção ótima para o festival. Escutávamos o som deles na adolescência e íamos aos shows sempre. É estranho até que tenham passado esse tempo todo sem tocar aqui”, argumenta Gabriel. Morando em São Paulo, Hélio Pisca, que há quatro anos não põe os pés em Maceió, comenta a expectativa para o show: “Faz tanto tempo que a gente não toca junto aí que acaba sendo uma coisa nova para todo mundo. Nesse período cada um de nós passou por tantas experiências e vivenciou tantas coisas que é como começar do zero”. A oportunidade, segundo ele, também servirá para pôr em prática um antigo objetivo do grupo: “Gravar um novo disco”.

Enquanto o registro não vem, a apresentação da Mopho capitaneando o Maionese Cinco se transformou numa espécie de chamariz para os fãs da banda, que prometem lotar o festival. Com a “isca” lançada, o passo seguinte era viabilizar a produção do evento. Como os próprios integrantes do coletivo admitem,a experiência adquirida nas edições anteriores se refletiu numa certa maturidade para montar uma programação bem mais densa este ano. Não que para isso eles tenham abandonado o aspecto um tanto mambembe que é uma marca do Maionese. Tudo continua sendo feito pelo grupo, que se reveza nas diversas funções necessárias a uma produção: um faz o contato com as bandas, outro corre atrás de patrocínio e viabiliza os apoios, enquanto todo mundo se empenha para dar cabo na missão de abarrotar e-mails e perfis no Orkut com spams do evento.

ENTRANDO NO EIXO

Para os dez envolvidos na organização do evento, as últimas semanas foram marcadas por incontáveis encontros e contatos em listas de e-mail. Nessa etapa final do processo, para conversar com a reportagem da Gazeta eles novamente se reuniram no Botequim Paulista, bar que serviu como uma espécie de quartel-general da turma durante a idealização do festival. Como não poderia deixar de ser numa conversa do grupo, instalouse ali um pequeno tumulto de declarações, lembranças de momentos marcantes desses cinco anos de história e, claro, previsões para as edições futuras – tudo regado a muito bom humor. A irreverência, por sinal, sempre foi um vetor para os músicos que compõem a Popfuzz Records. Do material de divulgação até o nome das bandas e o próprio título do festival (um trocadilho nonsense com a palavra molho e o mês de maio), nada escapa a essa “marca”. Disponíveis no You- Tube, promos do Maionese 2, 3 e 4 são exemplos de como a criatividade pode ser uma aliada para superar a falta de recursos.

Mas quando o assunto é futuro, eles deixam as piadas de lado para falar sério: “A nossa intenção é colocar o Maionese no calendário dos festivais de música independente do País. Assim como existe o Abril Pro Rock, o Bananada, o Goiânia Noise, o Coquetel Molotov e dezenas de outros no Brasil, queremos atingir essa visibilidade, entrar para a Associação Brasileira dos Festivais Independentes (Abrafin) e estabelecer nacionalmente maio como mês do Maionese em Alagoas”, diz a jornalista Talita Marques, 27, novata na produção do festival, assim como a estudante de Jornalismo Carla Castellotti, 22. Presentes como espectadoras nas edições passadas, elas decidiram colaborar com a promoção do evento este ano, e trouxeram consigo um novo fôlego para o coletivo.

“Já estamos sentindo o interesse de pessoas de fora de Alagoas pelo festival. Gente de São Paulo, do Recife e de outros estados tem entrado em contato, querendo saber como anda nossa cena. Inclusive o promotor do Coquetel Molotov vem para assistir e conhecer as bandas daqui”, diz Castellotti, uma das mais empenhadas em garimpar repercussão para o show. Se depender da expectativa que já se nota no público, eles não estão muito longe de cumprir a promessa de fazer do Maionese Cinco um sucesso. Entre uma intervenção e outra na entrevista, a moça não deixou ninguém que aparecesse no botequim escapar. Sacando um folder, ela “intimou” um amigo que acabara de chegar: “Mopho formação original, vai perder?”. Sem hesitar por um segundo sequer, o “transeunte” devolveu: “Deus me livre!”.


3 comentários:

  1. O Caique e o Alcyr tão bonitos, mas o Rodolfo se superou! Que é isso brow?
    eaheahaehaeh
    Muito boa a matéria!
    Parabéns pra todo mundo.
    Amanhã to lá!
    Abraço pra geral!

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  2. A matéria ficou boa pra caramba!

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  3. Parabéns pra Popfuzz e coloquem aqui no blog vídeos da Mopho por favor pros desafortunados que não moram mais em terras tupiniquins verem o show :~

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